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Nome: Apolinário Pimentel
Coluna: Pitaco
e-mail: polipimentel@hotmail.com

O problema é real

 

A exemplo do que aconteceu durante a campanha eleitoral para prefeito em 2004, em Campina Grande (PB) este ano o clima de bastidores é de verdadeira guerra fria, com dezenas de denúncias de ambos os lados, muitas afirmações mentirosas e várias mentiras verdadeiras, mas, no final, ninguém consegue provar nada.

 

A campanha atual tem um agravante para tornar mais quente o clima: é a definição de quem realmente tem a admiração do povo campinense: Rômulo, do grupo Cunha Lima e que representa o passado, ou Veneziano, do grupo de José Maranhão, e que representa a mudança e o futuro.

 

Mas muito mais importante do que isso é o envolvimento do povo na campanha. São centenas de pessoas de ambos os lados que formam uma verdadeira força tarefa durante as madrugadas vigiando uns aos outros, checando, vistoriando, literalmente brigando, denunciando e, dizem, cometendo crimes eleitorais.

 

A todo instante surgem denúncias de compras de voto através da distribuição de cestas básicas, dinheiro e material de construção, e da distribuição de camisas em todos os bairros. Todo mundo vê e garante, mas ninguém prova.

 

Apenas como exemplo desse caso real basta citar que durante uma recente passeata houve denúncias de distribuição de camisetas amarelas em pleno centro da cidade, mas... nada.

 

Também foram apreendidas mais de 100 camisetas vermelhas no bairro de Santa Rosa e, de novo... nada.

 

E na reta final da campanha os comentários passam a ser mais contundentes e mais sérios. Somente desta terça-feira para quarta-feira surgiram várias informações. Uma delas dava conta de que na caminhada da coligação amarela, no bairro do Pedregal, houve farta distribuição de dinheiro (notas de R$ 20 e de R$ 50) além de camisetas.

 

No mesmo período alguém disse que estavam distribuindo camisetas vermelhas no bairro de José Pinheiro.

 

Durante a madrugada um candidato da coligação vermelha foi cercado por oito carros com desconhecidos (alguns aparentando serem policiais) sob a acusação de estar conduzindo camisetas e feiras para distribuir com os eleitores. A Justiça Eleitoral foi chamada, mas como demorou muito a chegar o candidato acabou sendo liberado, mas em virtude do tempo que ficou ´detido´ acabou perdendo sua participação no comício para onde se dirigia.

 

A mais recente informação chegada da Central de Boatos, nesta quarta-feira pela manhã, dava conta de que um vereador da coligação amarela havia sido preso distribuindo feiras e dinheiro no bairro de José Pinheiro.

 

Outra informação dava conta de que um caminhão da mesma coligação estava distribuindo feiras nas proximidades do bairro Itararé. Nesse local até que a Justiça Eleitoral foi verificar o caso, mas os ´compradores de votos´ se esconderam e ninguém foi preso. Quando os fiscais foram embora, o ´trabalho´ foi retomado.

 

Diante dessa situação (sem falar nas brigas entre os correligionários) e por outras coisas é que o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a presença de tropas federais em Campina Grande e com isso o Exército deve ocupar as ruas da cidade já a partir desta sexta-feira.

 

Pode ser que com o Exército na cidade finalmente se possa comprovar alguma coisa.

 

Mesmo sem provas, só uma coisa não se pode negar: o problema é ´real´.

 

Apolinário Pimentel

Jornalista


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