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Nome: Paulo Feitosa
e-mail: contato@rededenoticias.com

POLÍTICOS ESPERTOS
 

Qualquer manifestação de violência caracteriza forte desvio de comportamento. Não é episódico. Todas as nações civilizadas procuram ao longo do tempo solucionar o problema através da constituição de grupos, simpósios e seminários. Estados Unidos, França e Inglaterra tem se ocupado do tema, apresentando proposições, ventilando soluções. Em verdade, o tema é discutido preferencialmente nos centros de estudos das universidades, ponto central das discussões polêmicas em assuntos de interesse público. A Universidade de Standford é um exemplo. No Brasil, não há como ignorar ou elidir o problema, ele aí está – bem sabem os senhores – alardeando sua presença, através de suas manifestações mais traumatizantes, causando impacto, semeando a dor e a desgraça. Nossos governantes tratam do problema em copiosos discursos políticos. Da teoria à prática, a distância pode ser imensa, as administrações se sucedem sem que se mova uma palha com a situação. Trocando em miúdos, podemos dizer com tranqüilidade que dentro do sistema que nos governa não há interesses para a solução do problema. Infelizmente, muitas autoridades brasileiras já se acomodaram à cultura da violência e, estúpidas, tem a simpatia intrínseca pela repressão, concorrendo para aumentar a criminalidade. A tendência moderna é fazer dos órgãos que tem a missão de combater a violência uma organização social-científica. Mas não chegaremos lá com os atuais critérios. Observa-se que nos últimos anos a criminalidade vem aumentando assustadoramente, em uma evidente curva ascendente, sendo cometidos os crimes mais bárbaros e brutais, não se podendo agregá-los ou relacioná-los apenas à miséria, mas demonstrando a total incapacidade dos “donos da segurança pública”. Um aprimoramento da administração policial, o investimento nos salários e adaptação às novas técnicas, é uma necessidade urgente, devendo contar para isso com o apoio da população. No Japão, existe uma associação de prevenção contra o crime, que mantém um inter- relacionamento com os órgãos de controle social, por meio de entidades especiais como centro de Orientação Juvenil. Nos Estados Unidos, funcionam os Comitês Consultivos da Vizinhança. Se aqui insistem num distanciamento do povo, que paga seus crédulos impostos, não se pode ter uma boa imagem perante a opinião pública. Não adianta fingir, mas a realidade não é esta? Convenhamos, aceitemos civilizadamente que o modelo atual de Segurança Pública no Brasil precisa mudar, que o país precisa urgentemente ampliar seu ordenamento jurídico e as garantias das liberdades públicas. Ninguém, em nenhuma circunstância, tem o direito de acotovelar o bom senso, a lógica e se escorar em privilégios, mesmo que tenham a aparência ou a roupagem da legalidade. Isso porque somente no regime democrático se permite, por todos os meios, a defesa da vida e da liberdade. E a história, que é ciência, registra e prova o perecimento dos direitos nos regimes despóticos. Assim, convêm não deixar brechas aos espertos políticos, democráticos de palanque, eventuais inimigos da sociedade que, alegando defendê-la, em verdade, querem dominá-la.

 
Paulo Feitosa
Advogado, delegado e ex-superintendente da Polícia Civil em Campina Grande
Diretor do Departamento Assistencial ao Inativo da Associação dos Delegados de Polícia Civil da Paraíba – ADEPOL

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